Apesar dos defeitos, Metroid Other M mantém boa reputação da franquia

Setembro 24, 2010

Por Yahoo

Se você está interessado em jogar Metroid: Other M (já disponível no Brasil), não cometa o erro de esperar ver novamente os dias de glória em 2D do Metroid original e de Super Metroid. Senão você sairá desapontado da experiência, pois Other M não se prende muito à fórmula clássica. Mas vá em frente com a mente aberta e será recompensado com uma experiência de ação que vale a pena e incorpora suavemente a plataforma 2D (dos jogos mencionados) com os elementos 3D de tiro em primeira pessoa presentes na série Prime. A Team Ninja e o grupo interno de design da Nintendo, o Project M, fizeram um excelente trabalhar ao dar à Other M seu próprio senso de personalidade e isso resulta em um título de ação que ajuda, em vez de machucar, a boa reputação da série.

Apesar de alguns passos errados, a jogabilidade é sólida, com quantidade suficiente de clichês de Metroid para satisfazer até mesmo os fãs mais aficionados da franquia. Samus é uma predadora mortal em Other M e se move rapidamente como uma ninja do espaço; os inimigos também são muito mais desafiadores, e você vai passar a maior parte do seu tempo em batalhas com inimigos que colocam a nova mecânica de truques que exige bom timing em uso total. Fiquei preocupado inicialmente com a maneira como os desenvolvedores iriam lidar com o esquema de ponto de vista duplo, mas funciona de maneira direta. Segurar o Wii Remote lateralmente te permite controlar Samus em uma visão 2D (que possui uma câmera fixa e ambientes em 3D), enquanto que apontar o controle para a tela coloca você em um ponto de vista em 1ª pessoa para procurar pontos de interesse e disparar mísseis. Eu odiei o fato de que você não pode disparar mísseis quando está atrás de um objeto, mas a transição entre os dois pontos de vista é suave o suficiente de maneira que não é a chatice que poderia ter sido.

Mais humana? “Metroid Other M” tenta inovar na famosa franquia de games ao olhar a protagonista mais “de perto”

O que é um incômodo, no entanto, é depender do minúsculo D-pad do Wii Remote, que deixou meu polegar esquerdo dolorido após algumas horas de jogo. E apesar da minha sugestão anterior para julgar Other M por seus méritos próprios, admito que é difícil não olhar para algumas das maneiras como o game se desvia da fórmula estabelecida da franquia. Primeiro, o jogo não encoraja tanto a exploração como nos títulos anteriores; você é confinado em uma única nave, e apesar dela possuir uma variedade de áreas interessantes e bem desenvolvidas, não possui realmente o senso de escala épico a que estávamos acostumados; também não existem tantos objetos escondidos para se encontrar, com tanques de mísseis e de energia, e upgrades que encurtam o tempo que leva para carregar sua arma. Os ambientes do título também contribuem para alguns enigmas frustrantes que exigem trabalho de adivinhação tedioso e caça obsessiva de detalhes para resolver.

A campanha principal também é relativamente curta eu a terminei em cerca de nove horas com uma porcentagem de conclusão surpreendentemente baixa; a nave é aberta novamente para você para explorar totalmente, mas eu ainda não fiz isso.

A história do jogo sobre a qual vou falar mais depois também se desvia do esquema de coleção de itens e habilidades que a série Metroid ajudou a popularizar. Se você já jogou bastante os outros jogos vai entender: ou você começa sem força ou todos os seus poderes são retirados e você passa a maior parte do seu tempo juntando forças para poder derrubar qualquer que seja o inimigo em questão. Em “Other M”, Samus começa com todas as habilidades e nunca as perde; em vez disso, ela escolhe não usar seu arsenal em respeito a um personagem com o qual possui uma história.

É uma mudança ridícula que não faz absolutamente nenhum sentido, e minha incredulidade atingiu seu ápice quando fui forçado a navegar por longas fileiras de um ambiente de lava sem o benefício da Varia Suit, um traje que protege dos danos do calor. Foi só após um certo ponto da narrativa que me foi dito que eu poderia ativá-lo, mas eu estava vestindo ele durante todo o tempo. O mesmo vale para todas as habilidades à sua disposição, e é difícil não ficar frutrado com isso.

Mas enquanto a narrativa afeta negativamente a jogabilidade nesse ponto, também é o aspecto mais fascinante do título: se a ação é o “filé” do game, a história é o nem sempre agradável, mas estranhamente satisfatório molho em cima de tudo.  Quando vi o trailer de “Other M” pela primeira vez, minha emoção em ver outro jogo da sére “Metroid” foi rapidamente substituída por ceticismo. A principal razão para isso é que Samus Aran não era apenas retratada sem sua armadura, mas ela tinha ganhado uma voz de verdade. Isso pode parecer um exagero de fã aficionado, mas considere a história da protagonista por um minuto. A forte, mas silenciosa matadora sempre guardou suas cartas, nos forçando a gostar dela não por quem ela era, mas pelo que podia fazer.

Jogo exclusivo para o Nintendo Wii já está disponível no Brasil

Por isso, vê-la repentinamente andando por aí “pelada” metaforicamente, é claro era irritante para dizer o mínimo. Existe um ditado antigo que adverte sobre conhecer seus heróis, e eu estava com medo do que poderia ver uma vez que Samus estivesse sem sua armadura.

Como esperado, fiquei um pouco desapontado com a versão de carne e osso de Samus Aran. Eu culpo a história em maior parte, que é desajeitada e contada de maneira grosseira. Samus é retratada como uma mulher com problemas que está carregando uma bagagem emocional muito grande, o que de certa forma acaba com a reputação que ela cultivou ao longo da história da franquia. As partes em que Samus pontifica sobre seu passado são as menos interessantes, e não ajuda o fato de a ação ser interrompida a todo momento por pequenos clipes que não podem ser pulados.

O que é surpreendente, no entanto, é que uma vez que complete o arco de história do jogo, me vi apreciando o esforço em humanizar Samus mais do que pensava que conseguiria. Mesmo não tendo gostado da história, isso ajudou a contextualizar toda a existência da protagonista.

Eu hesitei em dar crédito demais aos desenvolvedores, no entanto; Sinto que estou fazendo muito do trabalho pesado ao pegar os pequenos pedaços de narrativa e emoções que eles me dão e imaginá-los dentro de um bolo. Mas mesmo tendo ficado definitivamente desapontado com a história, entendi a razão de eles terem tomado essas decisões.

Percebo que fui mais fundo no jogo do que a maioria das pessoas pensará que é preciso, mas é importante destacar o que “Other M” faz aqui. Não é apenas uma tentativa de levar uma fórmula para novos lugares: é um vislumbre íntimo na mente de uma personagem amada quase que mundialmente, mas cuja personalidade tinha sido, até então, colocada em uma camada impenetrável de mistério. “Other M” corta essa armadura e tira a alma de Samus para dissecarmos, e apesar de não ter gostado de tudo que vi, foi algo refrescante e educativo ser lembrado de que há um ser humano de verdade por baixo daquele armadura lustrosa e poderosa.

Em ação: “Other M” oferece boa dose de ação para os fãs da série

Isso, junto com a ação sólida que o jogo oferece, faz de Other M uma adição notável ao catálogo de Metroid. Apesar de não ser o clássico instantâneo que todos esperavam, é um título interessante que merece ser reconhecido e se destacar pelos próprios méritos; em outras palavras, não julgue-o de maneira injusta contra suas expectativas, porque mesmo que não alcance o alto nível que viemos a esperar da franquia, isso não significa que não seja uma experiência válida por conta própria.

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